sexta-feira, 24 de julho de 2009

Sejam bem vindos !!!

Become!!!

Sejam bem vindos amigas e amigos

5 comentários:

  1. TRUQUE PARA ALFABETIZAR BRINCANDO:

    BRINCAR DE ESCREVER A LETRA NO AR, A CRIANÇA VAI IMAGINAR DE COMO ESSA LETRA É NO ABSTRATO E PROJETAR NO REAL.

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  2. VOCÊ PODE TAMBÉM TRABALHAR A MATEMÁTICA E PERGUNTAR PARA A CRIANÇA QUANTO É DUAS VEZES BI, ELA RESPONDERÁ BIBI, ENTÃO COMEÇARÁ A TER NOÇÃO SOBRE AS SÍLABAS E PALAVRAS INTEIRAS.

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  3. A CRIANÇA PEQUENA QUE TEM IRMÃO NA FASE DE ALFABETIZAÇÃO DESENVOLVERÁ COM MAIS FACILIDADE A ALFABETIZAÇÃO, O MOTIVO É QUE AS PALAVRAS COMEÇAM A FAZEM PARTE DA SUA VIDA, VALE LER HISTÓRIAS PARA ELAS, MESMO QUE SEJA NA HORA DO SONO, GIBI E LIVROS COLORIDOS DESPERTAM A IMAGINAÇÃO E ESTIMULA A PRÁTICA DA LEITURA NO FUTURO.

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  4. MEU FILHO QUERIA SER ADVENTISTA POR CAUSA DA IRMÃ DELE, ENTÃO EU DISSE QUE ELE NÃO PODIA POR QUE GOSTAVA DE CARNE DE PORCO, E ELE ME PERGUNTOU: E PORCA PODE?

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  5. Sou Educadora
    ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥
    Quando digo que sou educadora de infância em geral, respondem com um “Ah” tão insípido, que gostaria de dizer:
    Em que outra profissão poderias pôr laços no cabelo, fazer penteados inovadores e ver um desfile de moda todas as manhãs?
    Onde te diriam todos os dias “És linda”?!!!
    Em que outro trabalho te abraçariam para te dizerem o quanto te querem?
    Em que outro lado te esquecerias das tuas tristezas para atender a tanto joelho esfolado, e coração afligido?
    Onde receberias mais flores?
    Onde mais poderias iniciar na escrita,
    uma mãozinha que, quem sabe, um dia poderá escrever um livro?
    Em que outro lugar receberias de presente um sorriso como este?
    Em que outro lugar te fariam um retrato grátis através de um desenho?
    Em que outro lugar as tuas palavras causariam tanta admiração?
    Em que trabalho te receberiam de braços abertos depois de teres faltado um dia?
    Onde poderias aprofundar os teus conhecimentos sobre bichos da seda, caracóis, formigas e borboletas?
    Em que outro lugar derramarias lágrimas por ter que terminar um ano de relações tão felizes?
    Sinto-me GRANDE trabalhando com pequenos.
    A todos os educadores de infância,
    que tanto semeiam para que outros recolham
    A todos os que escolheram esta profissão…
    Obrigada!
    (Traduzido e adaptado de: “Soy Maestra” )
    ♥♥♥
    No YouTube há a versão em espanhol e esta em português:
    http://www.youtube.com/watch?v=BRNqEL4-SJM

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VI JORNADA DE EDUCAÇÃO DE MATO GROSSO DO SUL

EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI E DEMANDAS SOCIAIS

Adriana Aluchna Melgarejo - UEMS
Celi Corrêa Neres – UEMS / UNIDERP / USP
Jacira Rodrigues de Souza - UEMS


Resumo: Este texto faz parte do relatório de pesquisa que investiga o lugar da ludicidade na educação da criança do primeiro ano de ensino fundamental, considerando a implantação do ensino fundamental de nove anos em Campo Grande-MS. O objetivo é retratar como a ludicidade se faz presente na educação da criança e nas propostas educacionais defendidas pelos teóricos da psicologia e da educação. Para tanto, faremos uma breve retrospectiva histórica enfocando o lugar da atividade lúdica na educação, a apresentação das idéias dos principais teóricos que enfocam a ludicidade da educação e por fim considerações acerca do uso da ludicidade na educação e desenvolvimento da criança.


1. INTRODUÇÃO

Vários estudiosos entre eles Piaget (1917), Winnicot (1953), já apontaram a importância da ludicidade no desenvolvimento da criança.
O significado da palavra lúdico, conforme o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira quer dizer: relativo a jogos, brinquedos e divertimentos, de origem etimológica do latin “ludus” que quer dizer “jogo”.
A função lúdica, presente no jogo e no brinquedo tem sido alvo de interesse dos educadores e terapeutas que lidam com os diferentes aspectos da aquisição do conhecimento e do desenvolvimento infantil. A importância da função lúdica pode ser descrita sob muitos enfoques: antropológico, psicanalítico, psicológico, pedagógico, sociológico, entre outros.
A atividade lúdica é fundamental para o desenvolvimento infantil porque possibilita a criança aprender consigo mesma, com os objetos e pessoas envolvidas nas brincadeiras. Ao brincar a criança se diverte, faz exercícios físicos, constrói seu conhecimento e aprende a conviver em sociedade.
Ludicidade é capacidade da criança ao brincar: criar, inventar, divertir-se, descobrir por si própria. A ludicidade é a educação pelo movimento, a peça mestre do exercício pedagógico; prepara a criança para um saber mais atrativo, é centrada na emoção e no prazer.
A ludicidade em todas as suas formas deve ser encarada como um meio, um direito e um dever. Meio: quando proporciona a alguém a oportunidade de brincar, possibilitando o desenvolvimento afetivo, social e cognitivo. Direito: está instituído no Artigo 31 da Convenção dos direitos da criança da Organização das Nações Unidas (ONU) que orienta: “Toda criança tem direito ao descanso e ao lazer, a participar de atividade de jogos e recreação, apropriadas a sua idade e participar livremente da vida cultural e das artes”.
A importância das atividades lúdicas é a de promover o exercício da capacidade de atenção e concentração, explorando e ampliando a coordenação motora geral, despertando valores e afetividade. O lúdico é o recurso metodológico que tem importância fundamental da educação e formação integral da criança, o que permite que ela adquira e construa o saber brincando.

1.2 A LUDICIDADE: APONTAMENTOS HISTÓRICOS
1.3
Os primeiros estudos relacionados à temática do jogo, ou em especial ao lúdico, mostram que vem desde a pré-história com as atividades de caça, pesca, dança e luta onde estas não se restringiam somente ao caráter da sobrevivência, mas possuía também em sua essência o aspecto natural do prazer. Apesar disso a educação deste período era única, tanto para os adultos quanto para as crianças, pois a cultura de sobrevivência era passada de geração a geração. Veremos que para os povos antigos como os Egípcios, Romanos, Maias, os jogos também serviam de meios que propiciavam para a geração mais jovem aprender com os mais velhos os valores e conhecimentos daquela polis. Especificamente em Roma, Horácio e Quintiliano associaram o sentido prazeroso à educação, ao afirmarem que o interesse educacional baseado no lúdico foi iniciado com o uso de guloseimas e doces em forma de letras e números para ensinar as crianças.
Ao pesquisar o lúdico, surgiu o interesse pelo circo e veio à surpresa ao ver que o circo não surgiu para atrair as crianças, o primeiro circo que se tem no􀆡cia surgiu em Roma, porém de forma sátira, tanto que, as apresentações eram feitas em teatros, com anões satirizando as lutas realizadas nas Arenas. O circo surgiu para representar o mundo dos adultos e não o das crianças.
Na Grécia antiga e Egito as atividades lúdicas faziam parte das atividades cotidianas dos adultos e nesse período à criança não era valorizada, sendo submetida até aos sacrifícios religiosos. Pensadores e filósofos acreditavam que brincar é primordial para o pensamento integral do ser humano. (LOPES Adriana et-al., 2002).
Filósofos como Platão (427-348) falava dos primeiros anos de vida da criança, dos jogos educativos, da colaboração do caráter e da personalidade, da matemática lúdica, onde os exercícios de cálculos estavam ligados a problemas concretos e extraídos do cotidiano.
Já Aristóteles (384-322) na época Medieval, explícita a importância do brincar no desenvolvimento integral do ser humano, fazia uma classificação de vários aspectos do homem – homo sapiens – o que conhece o que aprende. Homo faber – o que produz homo ludus: o que brinca o que cria. (MARTINS, 2006).
O homem medieval brincava porque acreditava vivamente na maravilhosa sentença que associa a Sabedoria Divina à obra da Criação. Na Bíblia no livro Provérbios (8, 30-31) encontramos a seguinte citação:
[...] Quando Deus criou o mundo e fez brotar as águas das fontes, assentou os montes, fez a terra e os campos, traçou o horizonte, firmou as nuvens no alto, impôs regras ao mar e assentou os fundamentos da terra ‘ali estava eu (a sabedoria divina) com Ele como artifice, brincando (ludens) sobre o globo terrestre, e minhas delícias são estar com os filhos dos homens’.

Na Idade Média, no Cristianismo, aconteceu uma revolução cultural cujo principal fator é o religioso onde a criança passa a ser ora valorizada, ora marginalizada. Para educá-la eram consideradas as necessidades do mundo adulto que nada tinham a ver como o desejo da criança de brincar. A igreja acreditava que os jogos eram profanos, imorais e sem significado.
Os jogos somente tiveram ascensão no Século XVI – os humanistas perceberam o valor educativo dos jogos. Os colégios jesuítas foram os primeiros a colocar os jogos em prática. Os jogos foram considerados os meios de educação tão estimável quanto os estudos. Nesse sentido, podemos apontar que, desde Santo Agostinho em “Confissões”, já referenciava “o lúdico como eminentemente educativo no sentido em que constituí a força impulsora de nossa curiosidade a respeito do mundo e da vida, princípio de toda a descoberta e de toda a criação”. (SANTO AGOSTINHO apud CORREIO DA UNESCO, 1991).
Na idade média a criança era vista como um adulto em miniatura, portanto não havia diferença entre os jogos e brincadeiras destas e dos adultos. As crianças participavam de jogos sexuais com os adultos, quanto as roupas usadas, não se tinha nada adequado, sendo que, as roupas eram iguais as dos pais.

Segundo Áries (1978), no livro História Social da criança, na área da saúde não existia pediatra ou vacinas, remédios para as doenças, nem saneamento básico, e se desconhecia os cuidados necessários com o recém nascido, a mamadeira ainda não fora inventada. Também pelo fato das crianças não terem um quarto separado, os bebês dormiam juntos com seus pais, acontecia muito o infanticídio, por acidentes ou provocado por pai ou mãe à morte, para se livrar da criança. Manifestação de um desespero humano, provocado por falta de condições, eles comiam pães, cevadas, caçadas. A mãe dava a luz e no outro dia voltava a trabalhar, o livro aborda também a importância das brincadeiras durante o século XVII e XVIII. Ainda nesse século a imagem da criança é modificada, percebe-se que ela é um ser distinto do adulto e que possuem valores próprios como à fantasia, a ingenuidade, a comunicação à igualdade. Descoberta como ser individualizado, percebe-se que é necessária uma educação diferenciada que utilize atividades lúdicas e jogos educativos que possam servir de suporte para a didática.

A criança somente foi valorizada por causa de interesses da classe dominante, pois se via nela, um protótipo de operário que era o motivo de sua valorização.

Os estudiosos como Rousseau (1712-1778), observou o interesse que a criança sente quando participa de um processo que corresponde a sua alegria natural. As crianças possuem maneiras de ver, sentir e pensar que são próprias, a criança só aprende através de uma conduta ativa; aprende-se a pensar exercitando os sentidos.
Pestalozzi (1746-1827), que foi pioneiro da pedagogia moderna, era contra qualquer forma de punição à criança. O autor via nos jogos um fator decisivo que enriquece o senso de responsabilidade e fortifica as normas de cooperação. Acreditava na educação como um desenvolvimento total do indivíduo, num conjunto moral, intelectual e físico, cuja potencialidade se encontra na criança, que deve ser estimulada, principalmente no lar em que vive: “A escola deve ser a continuação do lar. É no lar que se encontra o fundamento de toda cultura verdadeiramente humana e social” – concluía o educador. “Jogo é um fator decisivo que enriquece o senso de responsabilidade e fortifica as normas de cooperação.”
Froebel (1712-1852), discípulo de Pestalozzi reforçou que a pedagogia deve considerar a criança como atividade criadora, e despertar mediante estímulos, as suas faculdades próprias para criação produtiva, a favor do fortalecimento dos métodos lúdicos na educação.

1.4 CONCEPÇÕES DE JOGO CONFORME VYGOTSKI, PIAGET, WALLON.

Desde que a criança nasce está presente à atividade lúdica, por isso a importância de desenvolvermos os estudos sobre os tipos de jogos nas diferentes concepções, dados a importância dos mesmos no desenvolvimento infantil.

1.4.1 O JOGO NA CONCEPÇÃO DE PIAGET

Para Piaget (1978) as origens das manifestações lúdicas acompanham o desenvolvimento da inteligência vinculando-se aos estágios do desenvolvimento cognitivo.
Cada etapa do desenvolvimento está relacionada a um tipo de atividade lúdica que se sucede da mesma maneira para todos os indivíduos.
Piaget (1946) identifica três grandes tipos de estruturas mentais que surgem sucessivamente na evolução do brincar infantil: o exercício, o símbolo e a regra.
O jogo de exercício caracteriza a etapa que vai do nascimento até o aparecimento da linguagem na criança, acontece entre 0 a 2 anos de idade e acompanha o ser humano durante toda a sua vida. Representa a forma inicial do jogo na criança e caracteriza o período sensório-motor do desenvolvimento cognitivo. A característica principal do jogo de exercício é a repetição de movimentos e ações que exercitam as funções tais como andar, correr, saltar e outras pelo simples prazer funcional.
O jogo simbólico tem início na criança entre dois anos a seis anos de idade, quando a criança entra na etapa pré-operatória do desenvolvimento cognitivo. Nesta categoria o jogo pode ser de ficção ou de imitação, tanta no que diz respeito à transformação de objetos quanto ao desempenho de papéis. A função do jogo simbólico consiste em assimilar a realidade. É através do faz-de-conta que a criança realiza sonhos e fantasias, revela conflitos interiores, medos e angústias, aliviando tensões e frustrações. Um dos marcos da função simbólica é a habilidade de estabelecer a diferença entre alguma coisa usada como símbolo e o que ela representa seu significado.
O jogo de regras manifesta-se entre os quatro e sete anos e se desenvolvem entre os sete e os doze anos constituem-se os jogos do ser socializado e se manifestam quando acontece um declínio nos jogos simbólicos e a criança começa a se interessar pelas regras.

1.3.2 O JOGO NA CONCEPÇÃO DE WALLON

Para Wallon (1945) o fator mais importante para a formação da personalidade da criança não é o meio 􀄰sico, mas sim o meio que a criança está inserida, o mundo social. Defende a importância do aspecto emocional, afetivo e sensível do ser humano e elege a afetividade, intimamente fundida com a motricidade, como desencadeadora da ação e do desenvolvimento da ação e do desenvolvimento psicológico da criança.
Segundo Wallon.(1944) a personalidade humana é um processo de construção progressiva, onde se realiza a integração de duas funções principais: A afetividade, vinculada à sensibilidade interna e orientada pelo social; e a inteligência, vinculada às sensibilidades externas, orientada para o mundo 􀄰sico, para a construção do objeto.
Wallon (1945) enfoca a motricidade no desenvolvimento da criança, ressaltando o papel que as aquisições motoras desempenham progressivamente para o desenvolvimento individual. Segundo ele, é pelo corpo e pela sua projeção motora que a criança estabelece a primeira comunicação (diálogo tônico) com o meio, apoio fundamental do desenvolvimento da linguagem. É a incessante ligação da motricidade com as emoções, que prepara a gênese das representações que, simultaneamente, precede a construção da ação, na medida em que significa um investimento, em relação ao mundo exterior.
Na concepção de Wallon (1981, p.79), infantil é sinônimo de lúdico. Toda atividade da criança é lúdica, no sentido que se exerce por si mesma antes de poder integrar-se em um projeto de ação mais extensivo que a subordine e transforme em meio. Deste modo, ao postular a natureza livre do jogo, Wallon o define como uma atividade voluntária da criança. Que se for imposta, deixa de ser jogo e se torna trabalho ou ensino. Wallon, ao classificar os jogos infantis, apresenta quatro categorias:
Jogos funcionais: Marcados por movimentos simples de exploração do corpo, através dos sentidos, a criança descobre o prazer de executar as funções que a evolução da motricidade lhe possibilita e sente necessidade de pôr em ação as novas aquisições, por exemplo: os sons, quando ela grita, a exploração dos objetos, o movimento do seu corpo. Esta atividade lúdica identifica-se com a “lei do efeito”. Quando a criança percebe os efeitos agradáveis e interessantes obtidos nas suas ações gestuais, sua tendência é procurar o prazer repetindo suas ações.
Jogos de ficção: Caracterizada pelo jogo do faz-de-conta, do imaginário, a criança representa papéis presentes no seu dia a dia, brincando de imitar os adultos, “casinha”, “médico”, “escolinha”, etc. Vivenciam situações do seu contexto social.
Jogos de aquisição: Inicia-se no nascimento, tudo que circula a criança é observado, “todo olhos, todo ouvidos”, como descreve Wallon, se empenha para compreender, conhecer, imitar canções, gestos, sons, imagens e histórias, começam os jogos de aquisição.
Jogos de fabricação: Acontece quando a criança começa a se interessar pelas atividades manuais de criar, juntar, combinar, juntar e transformar, a criança cria e improvisa o seu brinquedo: a garrafa Pet nas mãos da criança se transforma em um avião e depois volta a ser uma simples garrafa Pet, isto é, transforma a matéria real em objetos dotados de vida fictícia. Os jogos de fabricação são quase sempre as causas ou conseqüências do jogo de ficção, ou se confundem num só.

1.3.3 O JOGO NA CONCEPÇÃO DE VYGOTSKI

A partir de suas investigações sobre o desenvolvimento dos processos superiores do ser humano, Vygotski (1984, p.110) apresenta estudos sobre o papel psicológico do jogo para o desenvolvimento da criança. O autor enfatiza a importância de se investigar as necessidades, motivações e tendências que as crianças manifestam e como se satisfazem nos jogos, a fim de compreendermos os avanços nos diferentes estágios de seu desenvolvimento.
Caracterizando o brincar da criança como imaginação em ação, Vygotski elege a situação imaginária como um dos elementos fundamentais das brincadeiras e jogos.
Segundo Vygotski (1984, p.117) o brinquedo que comporta uma situação imaginária também comporta uma regra relacionada com o que está sendo representado. Assim, quando a criança brinca de médico, busca agir de modo muito próximo daquele que ela observou nos médicos do contexto real. A criança cria e se submete às regras do jogo ao representar diferentes papéis, a brincadeira se configura como uma situação privilegiada de aprendizagem infantil, à medida que fornece uma estrutura básica para mudanças das necessidades e da consciência.
Outro aspecto evidenciado pelo estudioso é o papel essencial da imitação na brincadeira, na medida em que, inicialmente, a criança faz aquilo que ela viu o outro fazer, mesmo sem ter clareza do significado da ação. À proporção que deixa de repetir por imitação, passa a realizar a atividade conscientemente, criando novas possibilidades e combinações. Dessa forma, a imitação não é considerada uma atividade mecânica ou de simples cópia de modelo, uma vez que ao realizá-la, a criança está construindo, em nível individual, o que nos observaram outros.
É, portanto, na situação de brincar que as crianças se colocam questões e desafios além de seu comportamento diário e levantando hipóteses, na tentativa de compreender os problemas que lhes são propostos pela realidade na qual interagem. Assim, ao brincarem, constroem a consciência da realidade e, ao mesmo tempo, vivenciam a possibilidade de transformá-la.
Fazendo referência à característica de prazer, presente nas brincadeiras, Vygotski afirma que nem sempre há satisfação nos jogos, e que quando estes têm resultado desfavorável, ocorre desprazer e frustração.Pensadores como Piaget (1989), Wallon (1981), Vygostki (1987) e outros.
Atribuíram ao brincar da criança um papel importante nos processos de desenvolvimento humano, como maturação e aprendizagem.
Independente da época, da cultura e da classe social, os jogos e as brincadeiras fazem parte do processo de desenvolvimento de uma civilização.
Hoje a ludicidade tem uma conotação diferente daquela que considerava o brincar como algo pejorativo, para transformar-se num tema de real significação para todas as pessoas. A ludicidade já é utilizada na terapia corporal, na capacitação de profissionais para o desenvolvimento das atividades lúdicas nas áreas da saúde e educação, envolvendo o ser humano em diferentes fases geracional.
Diversos estudiosos da educação trazem em sua obra abordagem relacionada à idéia do lúdico. Froebel apud Ramos evidencia o papel do jogo como revelador das tendências infantis, este jogo por sua vez deve ser espontâneo.
Segundo Luckesi (2000, p. 96) o que caracteriza o lúdico: “É a experiência de plenitude que ele possibilita a quem o vivencia em seus atos. A ludicidade como um estado de inteireza, de estar pleno naquilo que faz com prazer pode estar presente em diferentes situações de nossas vidas”.

1.5 O LÚDICO NA LITERATURA

As histórias clássicas como a Branca de Neve e os Sete Anões, Cinderela, Rapunzel e outras, não foram construídas para as crianças e sim para os adultos, porém tornaram-se atrativas para as crianças, muitas histórias foram passada de geração para geração, sobrevivendo até os dias de hoje.
Através das histórias as crianças entram num mundo imaginário, ficam em contato com o mundo maravilhoso, como transformas ratos em cavalos e abóboras em carruagem, é tornar o impossível no possível e assim a criança aprende a superar as dificuldades da vida real. Para Abramovich (1995), o primeiro contato da criança é aquele mantido com pais, avós, e outros familiares que contam histórias representadas em contos de fadas, histórias inventadas na hora de dormir ou quando a família está reunida numa hora de aconchego, num dia de chuva de domingo ou num feriado.
Ler histórias significa poder rir, experimentar situações vivenciadas pelos personagens, é interagir com o jeito de escrever do autor, além de poder ser cúmplice do momento de humor, de brincadeira, do divertimento, é esclarecer melhor as dificuldades ou descobrir um caminho para solução delas, é motivar a imaginação, é ter a curiosidade satisfeita em relação a tantas perguntas, é buscar outras idéias para solucionar certas questões.
[...] A história é importante alimento da imaginação. Permite auto-identificação favorecendo a aceitação de situações desagradáveis e ajuda a resolver conflitos, acenando com a esperança. Agrada a todos, de modo geral, sem distinção de idade, de classe social, de circunstância de vida. (COELHO, 2001).

1.5 O LÚDICO NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
Na sociedade de mudanças aceleradas em que vivemos, somos sempre levados a adquirir competências novas, pois é o indivíduo a unidade básica de mudança. A utilização de brincadeiras e jogos no processo pedagógico faz despertar o gosto pela vida e leva as crianças a enfrentarem os desafios que lhes surgirem. Trata -se do exercício de habilidades necessárias ao domínio e ao bom uso da inteligência emocional. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas, bem como relacioná-la as demais produções culturais ou simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática. Brincando a criança se diverte, faz exercícios constrói seu conhecimento e aprende a conviver com seus amigos.
Em se tratando de Psicologia Educacional, de acordo com Oliveira (2007, p.1), “[...] pode-se dizer que a mesma surge no âmbito do desconforto, onde professores, pais, diretores e a escola em si sentem-se desamparados frente ao número crescente de crianças impossibilitadas de participar do processo de evolução da aprendizagem”. Tal desconforto é real, pois a impossibilidade frente ao saber desencadeia na criança outros processos que dificultam o andamento escolar. As crianças, desde então, são rotuladas a partir de comportamentos que podem se associar aos distúrbios da aprendizagem: agressivas, apáticas, desinteressadas, desatentas, desorganizadas, etc. Desse modo, intervenções que possibilitem a integração da criança ao mundo do saber tornam-se necessárias.
A melhor forma de colocar esse processo em andamento é através do lúdico, do jogo, do brincar. Pode-se dizer que o ato de jogar é tão antigo quanto o próprio homem, pois este sempre demonstrou um impulso para o jogo. Jogar é uma atividade natural do ser humano. Através do jogo e do brinquedo, o mesmo reproduz e recria o meio circundante.
Neste sentido, é correto dizer que a brincadeira simbólica fornece à criança a possibilidade de ir ao outro, viver suas respectivas experiências e voltar novamente ao seu próprio mundo. A criança, ao brincar, desenvolve sua capacidade de refletir sobre os fatos reais de formas cada vez mais abstratas, bem como constrói sua realidade, tanto pessoal quanto social. Brincando, a criança conscientiza-se de si mesma como ser agente e criativo. A relação do brincar produz e reproduz emoções, possibilitando nomear e organizar um mundo de caos para um mundo de descobertas, facilitando a abertura para o campo cognitivo.
Baseando-se na pedagogia, pode-se dizer ainda que o brincar é a forma mais fácil e real para se estabelecer relações afetivas com a criança, transmitindo-lhe segurança e confiança para que a sua introdução no processo de escolarização seja saudável e prazerosa, sem sofrimentos e culpas. Através do brincar e das gratificações efetivas que acompanham esta atividade, a criança dá vazão à sua ânsia de conhecer e descobrir.
Enquanto brinca, a criança está consciente de que está representando um objeto, situação ou fato, mas, ao mesmo tempo, está inconsciente de que esteja representando algo que lhe escapa por estar fora do campo de sua consciência no momento. A brincadeira simbólica, como as demais manifestações simbólicas, daria à criança condições de aprender a lidar com suas emoções e afetos.
É particularmente interessante observar um processo análogo nas crianças, com alternância de movimentos com predomínio de abertura, e outros de fechamento, tanto em nível físico-funcional, como em nível simbólico-representativo. Através da observação das brincadeiras das crianças, constata-se realmente que a cada abertura ao meio corresponde um movimento complementar de interiorização, evidenciando-se a organização interna da ação.
A brincadeira simbólica vem sendo utilizada na área clínica, principalmente pela escola psicanalítica, há vários anos. No trabalho de consultório, quer em psicologia clínica, quer em psicopedagogia, muitas crianças são atendidas através do lúdico. “O brincar se dá no espaço potencial e é sempre uma experiência criativa, na continuidade espaço-tempo, uma forma básica de viver” (WINNICOTT, 1993, p. 45).
Sobre a brincadeira, mais especificamente a que ocorre na fase operacional concreta, há de se considerar também que, entre os sete e os onze/doze anos, verifica-se uma coordenação cada vez mais estreita de papéis e um aumento da socialização, que se desenvolve e subsiste durante toda a vida. Por volta dos seis/sete anos, aumenta-se novamente a atividade física da criança, o corpo encontra-se em modificação, daí a necessidade de construir um novo esquema corporal. Agora a criança tem um bom equilíbrio e muita facilidade para aprender a pular de um pé, pular corda, andar de bicicleta e para jogos com regras, mas ainda é, às vezes, difícil aceitar as regras e todas só querem ganhar.
A criança observa e controla os outros membros do grupo para verificar se estão seguindo adequadamente as regras. A violação das regras gera grandes discussões. O fato de perder torna-se intolerável para algumas crianças, dando origem a cenas de choro e até mesmo de agressão.
Nessa fase, abandona-se o egocentrismo em proveito da aplicação efetiva de regras e do espírito de cooperação dos jogadores. Observa-se que existe uma evolução do brincar de um estado mais egocêntrico até a socialização. Aqui, constata-se que o jogo inicialmente egocêntrico e espontâneo torna-se cada vez mais socializado.
Ao abordar a brincadeira de forma histórica, pode-se ressaltar que o conteúdo social da mesma tem mudado através do tempo. Porém, a sua essência raramente se altera. Dentro de cada faixa etária, o jogo da criança responde sempre às mesmas características lúdicas. Ao brincar e jogar, a criança fica tão envolvida com o que está fazendo que coloca na ação seu sentimento e emoção.
A brincadeira na fase operacional concreta é um elo integrador entre os aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais. Brincando e jogando, a criança ordena o mundo à sua volta, assimilando experiências e informações, incorporando atividades e valores. A atividade lúdica revela-se como instrumento facilitador da aprendizagem, possuindo valor educacional intrínseco, criando condições para que a criança explore seus movimentos, manipule materiais, interaja com seus companheiros e resolva situações-problema.
O brincar pode ser visto como um recurso mediador no processo de ensino-aprendizagem, tornando-o mais fácil. O brincar enriquece a dinâmica das relações sociais na sala de aula. Possibilita um fortalecimento da relação entre o ser que ensina e o ser que aprende.
As brincadeiras fazem parte do patrimônio lúdico-cultural, traduzindo valores, costumes, forma de pensamentos e aprendizagem. Os jogos e as brincadeiras fornecem à criança de sete a dez anos a possibilidade de ser um sujeito ativo, construtor do seu próprio conhecimento, alcançando progressivos graus de autonomia frente às estimulações do seu ambiente.
A intervenção do professor é necessária e conveniente no processo de ensino-aprendizagem, além de a interação social ser indispensável para o desenvolvimento do pensamento. As incitações do professor ajudam as crianças na reflexão sobre suas próprias ações. Juntos e com afeto, aluno e professor podem transformar o conhecimento em um processo contínuo de construção.
Cabe ao professor criar situações adequadas para provocar curiosidade na criança e estimular a construção de seu conhecimento. Pode-se perceber nesse momento, a importância de se proporcionar à criança de sete a dez anos a vivência de situações concretas com jogos diversos e múltiplas atividades que favoreçam a construção de um ambiente alfabetizador. A tarefa essencial do educador deve estar voltada para seduzir o aluno, para que ele deseje e, desejando, aprenda.
Os jogos também contribuem para o desenvolvimento do pensamento lógico-matemático. Através deles, criam-se situações de aprendizagem para a criança. Para Fagali e Del Rio do Vale (1993, p. 15) “O ensino da matemática fundir-se-á à aprendizagem natural, espontânea e prazerosa que as crianças experimentam desde o nascer”. Os jogos desafiam o pensamento da criança, provocando desequilíbrio, proporcionando descobertas e invenções, não a memorização mecânica.
Na aula modelada pelo método tradicional, o professor tem a palavra como poder e a autoridade como reforço e condutor do conhecimento. Saber e poder juntam-se para dar-lhe segurança. Não obstante, o brincar ganha espaço na aula modelada pela criatividade, espontaneidade e desafio do pensamento da criança. Em tal aula, busca-se criar um ambiente estimulador, envolto num clima de respeito mútuo, no qual o professor procura ajudar o seu aluno a estruturar sua personalidade, autonomia, auto-estima, iniciativa própria e conhecimentos.

1.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Piaget (1984) afirma que aprender, realmente, é um processo de investigação pessoal em que se formulam hipóteses como faz um pesquisador, o qual tem inspirações, engana-se, avança e recua, sofre e se alegra sucessivamente.
As verdadeiras aprendizagens não se fazem copiando do quadro ou prestando atenção ao professor. A audácia de abandonar as cartilhas e confrontar os alunos com a riqueza do contato simultâneo com todas as letras, qualquer palavra, frases e textos, é que, de forma significativa, tem revertido os insucessos em muitas salas de aulas.
Todavia, o brincar, muitas vezes, acrescenta ao currículo escolar uma maior vivacidade de situações que ampliam as possibilidades de a criança aprender e construir o conhecimento. O brincar permite que o aprendiz tenha mais liberdade de pensar e de criar para desenvolver-se plenamente.
[...] Brincar com a criança não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver menino sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados, tolidos e enfileirados em uma sala de aula sem ar, com atividades mecanizadas, exercícios estéreis, sem valor para a formação de homens críticos e transformadores de uma sociedade”. (CARLOS DRUMOND DE ANDRADE).

Pensar a importância do brincar nos remete às mais diversas abordagens existentes, tais como a cultural, que analisa o jogo como expressão da cultura, especificamente a infantil; a educacional que analisa a contribuição do jogo para a educação, desenvolvimento e/ou aprendizagem da criança e a psicológica que vê o jogo como uma forma de compreender melhor as emoções e a personalidade das pessoas.


1.7 REFERÊNCIAS
ALVES, R. A escola que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas, São Paulo: Papirus, 2001.Disponível em :<>. Acesso em 20 ago. 2008.
ARIÉS, Phillipe. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Zoar editora, 1978.
FAGALI, Eloísa Quadros; DEL RIO DO VALE, Zélia. Psicopedagogia institucional aplicada: a aprendizagem escolar dinâmica e construção na sala de aula. Petrópolis: Vozes, 1993.
GALLARDO, J. A criança em movimento. São Paulo: FTD,1998.
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